ém pertence à Patrulha da Noite, deve conhecê-lo,
tem um lobo gigante, branco, de olhos vermelhos. Jon já é um
patrulheiro? Eu sou Arya Stark - o velho, com suas
malcheirosas roupas negras, a olhava de um modo estranho,
mas Arya parecia não conseguir parar de falar. - Quando o
senhor voltar à Muralha, pode levar uma carta minha para
Jon? - desejava que Jon estivesse ali naquele momento. Ele
acreditaria no que ela dizia sobre as masmorras e o homem
gordo com a barba bifurcada e o feiticeiro do capacete de aço.
- Minha filha esquece-se com frequência da educação - disse
Eddard Stark com um ligeiro sorriso que suavizava suas
palavras. - Peço-lhe perdão, Yoren. Foi meu irmão Benjen
que o enviou?
- Ninguém me enviou, senhor, além do velho Mormont. Estou
aqui para encontrar homens para a Muralha, e da próxima
vez que Robert fizer um torneio, dobrarei o joelho e gritarei
aquilo que nos faz falta, para ver se o rei e sua Mão têm
alguma escória nas masmorras de que queiram se ver livres.
Mas pode-se dizer que Benjen Stark é o motivo de estarmos
nos falando. O sangue dele corre negro, o que fez com que
fosse tanto meu irmão como seu. Foi por ele que vim. E
cavalguei duramente, e como, quase matei a égua de tanto
fazê-la correr, mas deixei os outros muito para trás.
- Os outros?
Yoren cuspiu:
- Mercenários, cavaleiros livres e lixo dessa espécie. Aquela
estalagem estava cheia deles, e os vi farejando o cheiro. O
cheiro de sangue ou de ouro, no fim das contas sempre dá no
mesmo. E nem todos vieram para Porto Real. Alguns foram a
galope para o Rochedo Casterly, e lá é mais perto. A essa
altura, Lorde Tywin já deve ter recebido a notícia, pode
contar com isso.
Eddard franziu a testa.
- E que notícia é essa?
Yoren lançou um olhar a Arya.
- É melhor que eu a dê em particular, senhor, se me desculpa.
- Como quiser. Desmond, leve minha filha aos seus aposentos
- Ned deu um beijo na testa da filha. - Acabaremos nossa
conversa amanhã.
Arya ficou no mesmo lugar, como se tivesse criado raízes.
- Não aconteceu nada ao Jon, não é? - perguntou a Yoren. -
Ou ao Tio Benjen?
- Bem, quanto ao Stark não sei dizer. O rapaz Snow estava
razoavelmente bem quando deixei a Muralha. Não são eles a
minha preocupação.
Desmond pegou-lhe na mão.
- Venha, senhora. Ouviu o senhor seu pai.
Arya não tinha alternativa que não fosse ir com ele,
desejando que tivesse sido Tom Gordo a buscá-la. Com Tom
podia ter conseguido, com alguma desculpa, ficar junto à
porta e ouvir o Yoren tinha a dizer, mas Desmond era
inflexível demais para ser enganado.
- Quantos guardas meu pai tem? - ela perguntou a Desmond
enquanto desciam para o seu quarto.
- Aqui em Porto Real? Cinquenta.
- Não deixariam que alguém o matasse, não é? - ela quis
saber.
Desmond riu.
- Disso não precisa ter medo, senhorinha. Lorde Eddard está
guardado noite e dia. Não lhe acontecerá nenhum mal.
- Os Lannister têm mais de cinquenta homens.
- Têm, mas cada nortenho vale tanto como dez desses
soldados do Sul, por isso pode dormir tranquila.
- E se um feiticeiro fosse enviado para matá-lo?
- Bem, quanto a isso - Desmond respondeu, puxando da
espada -, os feiticeiros morrem como os outros homens depois
de lhes cortarmos a cabeça.

Eddard

- Robert, eu lhe peço - suplicou Ned -, atente ao que está
dizendo. Está falando de assassinar uma criança.
- A puta está prenha! - o punho do rei bateu contra a mesa do
conselho, fazendo um estrondo de trovão. - Eu o preveni de
que isto ia acontecer, Ned. Lá nas terras acidentadas, eu
disse, mas você não me ouviu. Pois bem, agora terá de me
escutar. Quero-os mortos, a mãe ou a criança, e aquele
palerma do Viserys também. Está claro o suficiente para
você? Quero-os mortos.
Os outros conselheiros estavam fazendo o seu melhor para
fingir que estavam em outro lugar qualquer. Sem dúvida
eram mais sábios que Eddard Stark, que raramente se sentira
tão só então.
- Será desonrado para sempre se fizer isto.
- Então que isso paire sobre minha cabeça, desde que eles
morram. Não sou tão cego que não consiga ver a sombra do
machado quando o tenho sobre o pescoço.
- Não há machado nenhum - disse Ned a seu rei. - Há apenas
a sombra de uma sombra, velha, de vinte anos... se é que
existe de todo.
- Se? - perguntou Varys com suavidade, apertando as mãos
empoadas. - Senhor, está me ofendendo. Traria eu mentiras
ao rei e ao conselho?
Ned olhou friamente para o eunuco.
- Traria os murmúrios de um traidor que está a meio mundo
de distância, senhor. Talvez Mormont esteja enganado.
Talvez mentindo.
- Sor Jorah não se atreveria a me enganar - disse Varys com
um sorriso manhoso. - Pode confiar nisso, senhor. A princesa
espera um bebê.
- Você já disse. Se estiver enganado, nada temos a temer. Se a
jovem abortar, nada temos a temer. Se der à luz uma filha, e
não um filho, nada temos a temer. Se o bebê morrer na
infância, nada temos a temer.
- Mas e se for um rapaz? - insistiu Robert. - E se ele
sobreviver?
- O mar estreito ainda estará entre nós. Temerei os dothrakis
no dia em que ensinarem o